terça-feira, 11 de março de 2014

"Nova" iniciativa


Desde 11 de janeiro deste ano dei início a um projeto assaz ousado, e o qual estou certo de que várias pessoas já tentaram, talvez até conseguiram vencer. Nomeei-o Filmic Jēran - a última palavra vinda do rúnico -, e estabeleci um mindset a ser seguido. Espero que minha sede por um repertório fílmico mais rico se desperte e vença minha já comum indisposição geral. 

Para aqueles que se interessarem, este é o link para o blog.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Inspiração e o lápis.

É impossível ler “A Elegia de Marienbad” e não querer versar em sibilos melancólicos sobre as dores da alma e a beleza da aceitação artística dessa dor, bem como é impossível ler Cioran e não querer fazer o mesmo acerca da dor do viver, da impaciência com o mundo, da desesperança que, embora feia, é por vezes o único consolo à imaginação ávida por sentidos imediatos. Impossível ler O Lobo da Estepe e não desejar a criação de um mundo subjetivamente mágico, onde as nuances do meio coletivo são comprimidas a um impulso transcendente de mentes imaginativas. Impossível ler Alan Moore e não querer apanhar a tinta e criar quadros gráfico-textuais sobre a fragmentação da civilização, suas ilusões e suas últimas mas nebulosas esperanças. Impossível ouvir “Shine on You Crazy Diamond” e não desejar expressar a saudade e a magia da união em notas harmônicas, mas improvisadas, na beleza da jornada musical há tanto e tão profundamente contemplada pelo humano.

Por vezes, esbarramos com a incerteza da criação, da inventividade, com o sempre irritante limite que, não raro, nos encurta as dedicações artísticas a esta ou aquela expressão. Mas a verdade é que desejamos sempre criar algo de valor similar àquele deleite que temos quando os olhos ou ouvidos cruzam caminhos com as coisas inspiradoras da arte; seja por simples homenagem, ou porque uma centelha daquela inventividade foi desperta pelo deleite, e deseja visitar a existência que compartilhamos; ser concebida, propagada entre os demais, sejam estes muitos ou poucos. Muitas centelhas aguardam a chama derradeira, a chama que ensina e que instiga, a chama que te desperta algo que desde sempre adormecia em recessos desconhecidos de teu pensamento, e cuja melhor consorte talvez seja a criação. Uma centelha viaja eras e flameja outras, chamas de origem, motivação, caráter, e fins distintos; mas que flamejam umas às outras. Eu amo a inspiração, amo a homenagem. Elas dão à luz muitos relatos similarmente valiosos sobre a beleza e a feiura, a vida e a morte, a esperança e o desespero, a harmonia e o caos.