sábado, 29 de outubro de 2011

Cartas de um homem morto (1986).

O pós-apocalíptico na Arte sempre me atraiu, pois as nuances temáticas do escatológico, quando bem exploradas, fazem-nos imergir nas profundezas do abismo obscuro da suposta perdição existencial. A desesperança, a perda do luxo e a ironia do retrato "varredor de ruas" em busca de sua fuga contra a morte nos impelem ao deslocamento subjetivo, quando pomo-nos no lugar das personagens retratadas; tudo isso fortalece as noções que possuo acerca dos traços mundanos de existência que se espalham aqui e ali em nossos princípios ontológicos.

Cartas de um homem morto, de Konstantin Lopushanski, um filme soviético lançado no ressoar da Guerra Fria, quando o medo do Apocalipse bélico e de um inverno nuclear espreitava os lares incautos da URSS, transmite essa atmosfera com uma veracidade perspectivista incrível. Possui ar e iluminação de um filme que foi produzido há mais de 50 anos, e o ponto de vista de um protagonista que faz parte da ciência e que ainda vê esperança na humanidade é desesperador (com o perdão da ironia). Silêncio, morte, escuridão, a reproduzir os bizarros nacos de temor que Chernobyl trouxe à vida na época. Filme soviético é realmente uma prova de fogo; o tipo de filme que só atrai ao final aqueles que estão dispostos a se esgueirar sobre a beira do tal abismo obscuro.



Àqueles que se interessarem, este é um link para o filme completo no youtube:

Clique para ver o filme completo.

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