quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ser guisado.


Nota: Este poema é um experimento meu com o galego-português, escrito em 14.11.2009, e fruto de um grande entusiasmo que me havia surgido meses antes ao ler Martim Moxa e outros grandes trovadores galego-portugueses. Devo os aprendizados da língua aos poemas - e apêndices para vocabulário - contidos na maravilhosa antologia Vozes do Trovadorismo Galego-Português (com cantigas de Pero da Ponte, Martim Moxa e Joam Soares Coelho), da editora Ibis. Crio este post com bastante contentamento, pois o poema estava perdido até ontem, quando o encontrei em arquivos esquecidos do computador, na minha cidade natal (o que férias e viagem de volta à sua casa não fazem...).
Enfim, espero agradar àqueles que apreciam poesia medieval.

---------------------------------------

Ser guisado

Que ben mi faça almejar
Venha-m'o don d'a menage
Contr'a vida que mi trage
Hu sol cor non destorvou
Gran affan assy mi leixou,
Per cor coytado que causou

Oj hua coyta sint'eu migo
Ca sencs'eu - alá cativo
pero ben sey valya que ey
De pran affan alá leixei
Gran affan assy mi leixou
Ca cor coytado que causou

Quitar-me-ey d'aquesta dor
Hi que invade-me - a razon
Hu mal mi trage ren peyor
Será mal per tod'a sazon
Gran affan assy mi leixou
Per cor coytado que causou

Prez y proe, eu - ey tornado
Ant'affan, eu - ey guisado
Contr'a coyta que mi trage
Mal y dor eu - ey lidado
Affan ende assy mi leixou
Ca cor guisado que causou.